terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Coronel Xavier Chaves realiza Festival Internacional de Escultura em Pedra


 Escultura apresentada na primeira edição do Festival Internacional de Coronel Xavier Chaves
A  cidade de coronel Xavier Chaves,  a 50 km de Barbacena, pertencente ao Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes, quer fazer de uma tradição, sua marca registrada. Por isso está concluindo a segunda edição do  Festival Internacional de Esculturas em Pedra.  Durante o período de um mês, artistas de várias nacionalidades e diferentes estilos - selecionados por uma comissão de especialistas - formaram um ateliê coletivo, produzindo esculturas que ficarão expostas em diversos pontos da cidade, muitas até se incorporando definitivamente à paisagem urbana do município de,3 mil habitantes. Fazendo valer seu título de “cidade da pedra”, Xavier Chaves tem cerca de 60 pessoas que hoje se dedicam integralmente à arte do entalhe e da cantaria, utilizando principalmente o gnaisse, a pedra-sabão e o granito. Além de figuras de animais, anjos e santos, fontes, pias batismais  e outros utilitários são produzidos em oficinas caseiras fazendo a fama na arte que tem nas pedras abundantes na região, seu principal suporte . Nesta segunda edição, foram selecionados artistas da Ucrânia, Bulgária, Portugal , Espanha, além dos convidados locais. A seleção e curadoria ficou a cargo dos especialistas e professores, Roseli Santaella Stella e Flávio Sasso, ambos de São Paulo e Carlos Castro Brunetto, Doutor em História da Arte pela Universidade de La Laguna, na Espanha. O próximo festival será em 2014. (Edson Brandão)

Para saber mais, acesse:

sábado, 21 de janeiro de 2012

Série-II Encontro dos Pesquisadores - Palestra 2

 O Professor Wilton apresenta uma nova hipótese para a construção da capela, que daria origem ao Arraial da Igreja Nova ( Barbacena)

A origem do Arraial da Igreja Nova, por Wilton Ferreira de Souza

Sede da Academia de Letras de São João del-Rei,
Dia 19 de agosto de 2011 - 09:30 h
O Professor Wilton Iniciou sua fala pela citação de versões sobre o surgimento do arraial. Uma delas dá conta de que algumas pessoas chegaram ao local, o alto de um morro, e resolveram ali erigir uma igreja. Mas já na primeira metade do Século XVIII, já havia nas imediações alguns sesmeiros ou ocupantes do local que de imediato aceitaram a ideia, dizendo que o terreno não era deles e que a construção não só da capela, mas também de casas de moradia resolveria uma discussão que já vinha ocorrendo, com diversos moradores querendo a igreja em suas próprias terras.
Entretanto, ressaltou o Prof. Wilton, a partir do momento em que se começou a organização do arraial, Estêvão dos Reis e um sobrinho dele começaram a criar problemas. Alegaram que cederam terreno próprio, contrariando a conversa anterior. Foram, então, até Ouro Preto e pediram que o local fosse incorporado à sesmaria deles. E passaram a alegar que haviam permitido a construção da capela, não de casas e, que se estas fossem erigidas, eles exigiriam que o comércio lhes pertencesse.
Para o Prof. Wilton, a ocorrência foi uma escaramuça, uma questão de avareza, que o leva a levantar uma nova hipótese para o surgimento da Igreja Nova, as relações igreja-estado e a nobilitação procurada pelos então moradores locais. Seriam, segundo o pesquisador,  pessoas em busca de escalada social.
O palestrante se baseia em fontes do Professor Francisco Eduardo de Andrade (cuja palestra ocorreu mais tarde) para informar que os memorialistas dizem que a capela era erigida e a partir dela surgia o arraial. Entretanto, pesquisas detalhadas demonstraram que a capela era construída em função do que já existia no local, como um entroncamento de caminhos e o mobiliário urbano que na época fazia parte deles. No caso da Igreja Nova, ali já existia o Registro e uma vida social e econômica em seu entorno, como fatos geradores da necessidade de construção de um local para a prática religiosa, contrariando, desta forma, o que dizem os memorialistas.
No mesmo sentido, foi apresentada uma análise da noção de que os construtores da capela teriam uma espécie de plano de edificação do povoado. Um dos argumentos é uma carta dirigida pelos moradores ao Rei, alegando que o local era visitado frequentemente por pessoas perturbadoras da ordem. Oras, pergunta Wilton, “ como poderiam querer construir uma capela em local tão inadequado?”  E ele mesmo responde que há indícios da influência da missão pacificadora da Igreja, de ordenar e evangelizar os moradores locais. Donde o interesse de formação do arraial seria não só da Igreja como também dos potentados da região.
O Prof. Wilton Ferreira de Souza ressaltou que o doador de terras para constituição do patrimônio do santo protetor adquiria alguns direitos, sendo o mais evidente a aproximação com o aparelho da igreja que, na realidade, era também um aparelho de Estado. Ou seja, o doador usava desta estratégia para se aproximar do poder. Segundo o palestrante, todos queriam este acesso, sendo assim uma atitude planejada para a escalada social.
Prosseguindo, foi abordada a questão denominada ‘economia do dom’, ou seja, quem faz alguma doação é automaticamente nobilitado. Quem faz mercê à Igreja tem como benefício o acesso a um novo patamar na sociedade. Naquela época, quem quisesse se nobilitar deveria, antes de mais nada, viver como nobre. Ou seja, teria que ofertar algo. E neste processo, o interessado poderia ser até um oficial mecânico, por exemplo, mas não poderia viver como tal. Esta seria a razão para os casos que a história registra de pessoas que construíram fortuna e a perderam no momento em que passaram a utilizá-la para sustentar uma vida de nobre.
Concluindo sua apresentação, o professor Wilton reforçou a opinião de que o surgimento de um arraial, e especialmente o da Igreja Nova, teria sido uma questão de negócio, envolvendo de forma evidente o processo de escalada do poder. Ressaltou que há indícios de que a parcela mais abastada daquela população teria interesses na formação do povoado, o que coloca em campos opostos a opinião de memorialistas e dos estudiosos que pesquisaram o tema.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Série-II Encontro dos Pesquisadores - Palestra 1


 O Prof. Francisco Rodrigues de Oliveira, da Associação Cultural do Arquivo Histórico Municipal "Prof. Altair Savassi"de Barbacena falou sobre Caminho Novo e Caminho Velho

Antigas ligações entre os Caminhos Novo e Velho na região das Vertentes, por Francisco Rodrigues de Oliveira

Sede da Academia de Letras de São João del-Rei,
Dia 19 de agosto de 2011 - 09:00 h
Foi apresentada cartografia do Caminho Velho e Novo e explicado que o Caminho Velho era vulnerável no trecho marítimo do Rio de Janeiro  até Parati, frequentado por piratas. Além disso, o percurso total consumia até três meses de deslocamento, enquanto pelo Caminho Novo era possível ir do Rio de Janeiro a Vila Rica em apenas um mês.
O palestrante demonstrou que, no início de cada caminho, havia uma boa distância a separá-los. Ao entrar no território correspondente a Minas Gerais, as duas vias iam se aproximando até se unirem na altura do atual município de  Conselheiro Lafaiete. Na parte inferior da Serra da Mantiqueira, a mata era fechada. Já no Campo das Vertentes, região que abrange São João Del-Rei e Barbacena, só existia mata nas margens dos rios, as chamadas matas ciliares. As demais áreas do campo eram cobertas por vegetação rasteira, com árvores esparsas.
Esta condição, segundo entendimento do pesquisador, parece ter favorecido o surgimento de várias trilhas, anteriores à abertura dos Caminhos Velho e Novo, resultando em que ambos tenham sido, na verdade, o alargamento de vias já existentes. Ressaltou que o índio, por não conhecer o cavalo, teria aberto trilhas bem estreitas. Advindo a necessidade de transporte de carga, em lombo de animais, tornou-se imperioso transformar aquelas picadas em passagens que permitissem o trânsito de um animal com cargas dispostas dos dois lados.
O Professor Francisco citou os viajantes estrangeiros que passaram pela região nos séculos XVIII e XIX, buscando responder a curiosidade dos europeus. A partir da vinda da Família Real Portuguesa, em 1808, surgiram as expedições científicas, com objetivos mais específicos.
Outros mapas foram apresentados. Um deles, do final do século XIX, com as condições geológicas de Minas Gerais . Em seguida um mais recente, já contando com a tecnologia da fotografia aérea.
A imagem de um rancho despertou curiosidade na platéia, sendo explicado que era uma cobertura de sapé sobre quatro esteios que servia para abrigar os viajantes. Os estrangeiros reclamavam do desconforto e dos bichos de pé e carrapatos, além do hábito dos tropeiros de cantarem durante a noite inteira depois de passarem o dia todo trabalhando duro.
Francisco Rodrigues de Oliveira explicou também que o proprietário construía o rancho a pequena distância de sua casa, onde só se hospedavam as autoridades que por ali passassem. Para os demais, que ficavam debaixo daquela cobertura, nada era cobrado pela estadia, mas pela venda de alimentos, especialmente o milho para os animais.
Em seguida discorreu sobre a forma como eram desenhados os mapas no final do século XIX. Chamada triangulação, consistia em alcançar um determinado ponto elevado que permitisse a visualização de outro ponto de mesma altitude. Medindo-se a distância entre os dois pontos, através de um aparelho de medição de ângulos, era possível completar o terceiro lado do triângulo. Fazia-se, então, um levantamento de detalhes da área medida. De cada triângulo composto partia-se para suas interseções.
Foi citada a Várzea do Marçal, localidade próxima a São João Del-Rei, que foi o ponto de início da medição naquela região. E explicando como o trabalho era realizado, Francisco Rodrigues de Oliveira destacou que os encarregados da operação eram engenheiros dos quais se exigia também boa capacidade de expressão gráfica para registrar em papel os componentes encontrados. Além disso, havia uma turma para fazer a medição linear entre dois pontos e outra turma fazendo a mesma medição no caminho inverso, tirando-se a média dos dois resultados encontrados.
Além de Cunha Matos, o cronometrista do Caminho Novo, Francisco Rodrigues de Oliveira mencionou em sua palestra os viajantes Antonil, Tavares de Brito, Costa Matoso, Saint Hilaire, Langsdorff e Richard Burton, personagens que passaram pela região e com suas descrições contribuíram para que as informações chegassem até nós.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Série - II Encontro dos Pesquisadores - Introdução


 Aspecto externo do local onde aconteceu o II Encontro dos Pesquisadores


Introdução

Reunindo resenhas elaboradas por Nilza Cantoni, com o apoio de Francisco de Barros, Joana Capella e Silvia Buttros, durante o II Encontro de Pesquisadores do Caminho Novo, realizado entre os dias 19 e 21 de agosto de 2011, em São João del-Rei, iniciamos uma série retrospectiva das palestras apresentadas durante o referido encontro. Além da resenha, serão disponibilizadas, na íntegra, as apresentações projetadas por cada palestrante, bem como alguns áudio-visuais exibidos durante o evento. Agradecemos o companheiro Alex Guedes dos Anjos pela reunião de parte do material e pedimos aos palestrantes cujas apresentações ainda não estejam disponibilizadas que colaborem, nos enviando seus arquivos. Importante ressaltar que este Encontro é itinerante. Sua primeira edição aconteceu em 2010, em Barbacena e o III Encontro será realizado em 2012, na cidade de Conselheiro Lafaiete.

 

Abertura do Segundo Encontro de Pesquisadores do Caminho Novo, por Luiz Mauro Andrade da Fonseca

Sede da Academia de Letras de São João del-Rei,
Dia 19 de agosto de 2011 - 08:30 h
Iniciando os trabalhos, Luiz Mauro Andrade da Fonseca falou sobre a informalidade do Encontro, para o qual as pessoas foram espontaneamente, fizeram a inscrição na hora, as despesas foram socializadas e os palestrantes não receberam cachê. Ressaltou que o público foi diferenciado, não  um público leigo, mas  formado por  pessoas que acompanham as palestras com muita atenção e conhecimento prévio.
O objetivo do encontro, disse o Dr. Luiz Mauro, foi promover uma reunião de pesquisadores que apresentaram os temas que estudam para compartilharem  com os demais as suas experiências. Compareceram pessoas vinculadas à universidades ou não, genealogistas, pessoas voltadas para a preservação do patrimônio cultural, memorialistas etc. E mesmo os que não estavam diretamente ligados ao tema, acabaram se interessando dada a espontaneidade com que foram abordados os assuntos.
Destacou que há um cuidado de se evitar a repetição desnecessária do que está publicado em livros, por não ser de interesse a apresentação de assuntos já estabelecidos, mas de pesquisas regionais, autênticas, que ajudem a progredir. O Caminho Novo foi escolhido por mote dos Encontros, o que não impede que sejam  abordados todos os caminhos de Minas, como a Picada de Goiás e outros que nos ajudam a compreender a história de Minas e do Brasil.
Explicou que ele ( Dr. Luiz Mauro) e Francisco Rodrigues de Oliveira trabalham com sesmarias há cerca de 20 anos, e que a maior dificuldade sempre foi com a toponímia. Como exemplo, citou o nome Cuiabá que aparece nas cartas e, evidentemente não se refere à cidade do Mato Grosso. Ou seja: são documentos que trazem topônimos pouco conhecidos pelos pesquisadores. Motivo pelo qual foi convidada a professora Maria Cândida Seabra, que falou sobre Toponímia da Comarca do Rio das Mortes e que certamente permitiu um grande salto na pesquisa dele e de Francisco Rodrigues de Oliveira e outros envolvidos no tema.
Finalizando, o Dr. Luiz Mauro deu boas vindas e agradeceu a presença de todos, desejando que formem uma confraria de amigos que facilitem o avanço das pesquisas de uns em contato com as experiências dos outros. Agradeceu também ao presidente da Academia Sanjoanense de Letras, José Cláudio Henriques, que compareceu à abertura do encontro,  acompanhado pela secretária da instituição, Zélia Maria Leão Terrell, pela cessão do espaço para a realização do Encontro.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011


 Arte de Aleijadinho. Santuário do Bom Jesus de Congonhas-MG



Desejamos a todos um
Feliz Natal e um Ano de 2012
com muitos e belos
Caminhos Novos...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Revista do Arquivo Público Mineiro




 Indios Puris em antiga ilustração. Reprodução


Secretaria de Estado de Cultura lança nova edição da Revista do Arquivo Público Mineiro
A Revista do Arquivo Público Mineiro lançará no dia 25 de dezembro, edição especial com produção historiográfica sobre as populações indígenas de Minas. Em circulação há 115 anos, a publicação semestral reúne textos, reproduções de documentos históricos e trabalhos inéditos de pesquisadores produzidos a partir do acervo do Arquivo Público Mineiro. O evento acontece às 18 horas, no auditório do Anexo II do Auditório do Tribunal de Justiça de Minas Gerais – TJMG. Nesta nova edição, a Revista do Arquivo Público Mineiro tem como tema “Minas do Ouro, Minas Indígena”. Coordenada pela professora Maria Leônia Chaves de Resende, do Departamento de História da Universidade Federal de São João del Rei, a publicação traz arquivos e pesquisas historiográficas produzidos nos anos 90 e que têm como foco a questão das populações indígenas no território de Minas Gerais.